20 de março de 2026
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Dicas
Milão 2026: o que o Salone del Mobile deve revelar sobre o futuro do mobiliário
O Salone del Mobile 2026 se aproxima. Veja o que arquitetos e designers podem esperar do maior evento de design do mundo.
Há décadas, o fim de abril em Milão funciona como uma bússola para o mercado de design. Arquitetos, designers e curadores de todo o mundo chegam à cidade para ver em primeira mão o que as principais marcas e ateliês têm desenvolvido, e para entender quais conversas o setor está tendo naquele momento.
A Semana de Design de Milão cumpre esse papel com uma consistência rara. Não é só uma vitrine de produtos: é onde tendências ganham forma física, onde materiais são apresentados em contexto e onde o debate sobre a função dos ambientes domésticos acontece de maneira concreta, através dos objetos expostos. Em 2026, esse debate chega num momento em que o mercado de mobiliário de alto padrão está particularmente atento a questões de permanência, autoria e materialidade, temas que devem marcar a programação do evento.
O Salone del Mobile é o evento central dessa semana, a maior feira de mobiliário do mundo, realizada na Fiera Milano Rho. Ao redor dele, o Fuorisalone toma conta dos bairros, galerias e espaços históricos da cidade com instalações, lançamentos e experiências que extrapolam o formato de feira convencional.
Em 2026, tudo isso acontece de 21 a 26 de abril, quando o Salone chega à sua 64ª edição. Para quem trabalha com arquitetura e interiores, acompanhar esse movimento, mesmo à distância, é parte do trabalho.
Salone del Mobile 2026: a 64ª edição e o que ela traz de novo
Desde 1961, o Salone del Mobile reúne o que há de mais relevante no mercado global de mobiliário. Marcas consolidadas, ateliês independentes e designers em início de carreira dividem o mesmo calendário, cada um com seu recorte e sua proposta.
Esta edição acontece na Fiera Milano Rho com a presença esperada de mais de 1.900 expositores. Dois retornos marcam o calendário:
- EuroCucina, mostra dedicada ao universo da cozinha, que alterna anos com o evento principal e chega em 2026 com novidades sobre integração de ambientes e materialidade aplicada ao espaço de cozinhar. A cozinha deixou de ser um ambiente de apoio e passou a ocupar o centro das discussões sobre convívio doméstico, o que torna essa edição da mostra especialmente relevante para projetos residenciais e gastronômicos.
- SaloneSatellite, plataforma histórica para designers emergentes com menos de 35 anos, que segue sendo um dos espaços mais observados por quem quer entender o que vem pela frente no design autoral. Muitos nomes que hoje assinam coleções reconhecidas internacionalmente passaram pelo SaloneSatellite antes de chegar ao mercado consolidado.
Essas mostras dentro da mostra são parte do que torna o evento tão plural. Cada uma carrega um olhar específico sobre o espaço doméstico e, juntas, formam uma leitura mais abrangente do que está mudando na forma de projetar e habitar.
O que as tendências de 2026 devem revelar em Milão
1. Materiais: a escolha como argumento de projeto
Nos últimos anos, o debate sobre materialidade ganhou profundidade, saindo do campo puramente estético e entrando no campo construtivo e sensorial. Para 2026, o que se espera é um aprofundamento desse movimento, com materiais sendo apresentados não apenas pelo que parecem, mas pelo que significam dentro de um projeto.
Algumas direções que já se delineiam no mercado e devem aparecer com força no evento:
- Madeiras com acabamento natural ou minimamente tratado, que preservam textura e variação, numa direção oposta ao laminado uniforme que dominou parte da última década;
- Pedras e resinas com caráter artesanal, usadas em tampos, bases e detalhes estruturais que pedem atenção de perto;
- Tecidos de alto desempenho com aparência artesanal: a tecnologia têxtil avançou o suficiente para que um tecido durável em ambiente de alto fluxo possa ter o caráter visual de uma peça feita à mão;
- Metal com acabamentos que envelhecem bem, como latão escovado e aço tratado, que escurecem e ganham textura com o uso em vez de simplesmente deteriorar.
Quando o material é bem escolhido, ele conta algo sobre o espaço antes mesmo de qualquer mobiliário ser posicionado. Essa camada de significado é o que diferencia uma especificação técnica de uma decisão de projeto.
2. Tecnologia: o que não aparece, mas resolve
A palavra tecnologia aparece com frequência quando se fala do Salone, mas nem sempre com o mesmo sentido. Em 2026, a expectativa é que o evento mostre com clareza a distinção que o mercado de alto padrão já pratica: a tecnologia relevante é a que melhora o resultado sem aparecer no produto final.
Isso se traduz em processos de corte e encaixe mais precisos, sistemas de modulação que permitem personalização sem comprometer a integridade do design, e acabamentos que ampliam a vida útil da peça sem alterar sua linguagem visual.
Para o arquiteto e o designer de interiores, esse tipo de avanço tem impacto direto na especificação. Peças que antes existiam apenas em protótipos ou edições limitadas passam a ser viáveis em escala, mantendo o caráter autoral que justifica a escolha. Na prática, isso amplia o repertório disponível para projetos que exigem identidade sem abrir mão de desempenho construtivo.
3. O espaço doméstico que continua se reorganizando
As residências foram mudando ao longo de alguns anos que aceleraram transformações que o design já antecipava. Trabalho, lazer, convívio e recolhimento passaram a coexistir nos mesmos ambientes, e o mobiliário precisou acompanhar essa reorganização.
O Salone costuma traduzir essas mudanças de comportamento em produto. O que se espera para 2026:
- Peças multifuncionais que não carregam esse peso visualmente: soluções que servem a mais de um uso sem anunciar isso na forma;
- Atenção aos espaços de passagem: corredores, halls e áreas de transição ganham tratamento próprio como espaços de identidade, não apenas de circulação;
- Outdoor com a linguagem do interno: o mobiliário para áreas externas deixou de ser uma categoria separada com estética própria. A tendência é ver peças que carregam a mesma sofisticação de uma sala de estar, desenvolvidas para uso externo;
- Áreas sociais mais integradas: a fronteira entre sala, jantar e cozinha continua sendo questionada, com soluções que favorecem o convívio sem criar hierarquias rígidas entre os ambientes.
Fuorisalone: o que acontece fora da feira
Enquanto o Salone del Mobile ocupa a Fiera Milano Rho, o Fuorisalone se espalha pela cidade. Galerias, showrooms, espaços culturais e bairros inteiros de Milão recebem instalações, lançamentos e mostras que funcionam em paralelo à feira, com uma liberdade de formato que o ambiente expositivo convencional não permite.
Para o segmento de alto padrão, o Fuorisalone costuma ser onde as narrativas mais elaboradas aparecem. Sem a pressão do estande da feira, as marcas trabalham o espaço como parte da apresentação: a iluminação, o percurso, a relação entre os objetos. O produto é apresentado dentro de um contexto pensado, não isolado num pedestal.
Três dinâmicas que devem marcar a edição de 2026 merecem atenção especial:
- Instalações em espaços históricos da cidade, onde a arquitetura preexistente dialoga com o que está sendo apresentado, criando camadas de leitura que vão além do objeto em si;
- Colaborações entre marcas de mobiliário e outros campos criativos, como moda, gastronomia e arte, que ampliam o contexto em que o objeto é lido e aproximam o design de outras formas de fazer cultura;
- Apresentações em formato de experiência, onde percorrer o espaço já é parte do que a marca quer comunicar, e o visitante entende a proposta não apenas pelo produto, mas pelo ambiente que ele ajuda a construir.
Para arquitetos e designers que acompanham o evento à distância, o Fuorisalone costuma ser a fonte das referências mais ricas. É onde o ambiente, a atmosfera e a intenção por trás do projeto ficam mais evidentes.
Raiz italiana, expressão brasileira: onde a Tasselo se encontra com Milão
A história da Tasselo começa com a Cerutti Mobili, nome que carrega a referência direta a uma tradição de marcenaria e design que a Itália construiu ao longo de décadas. O fino traço italiano, a atenção ao detalhe construtivo, o respeito pela materialidade: tudo isso está na origem do que a marca é hoje.
Com mais de 25 anos de história no Brasil, a Tasselo foi incorporando outra camada. A brasilidade entrou pela generosidade das formas, pelo acolhimento que uma peça bem projetada é capaz de trazer para um ambiente, pela curva que não é apenas estética, é também gesto.
Essa combinação de precisão com sensibilidade define o design autoral da marca e se manifesta de forma concreta no processo produtivo: nas duas fábricas que somam quase 6 mil m² de área produtiva, no maquinário de alta tecnologia e na equipe que reúne arquitetos, designers e engenheiros trabalhando sobre os mesmos projetos.
Quando o Salone del Mobile debate materialidade, permanência estética e a relação entre forma e uso, está tratando de valores que a Tasselo já pratica no cotidiano de projeto. O evento de 2026 não traz algo distante ou novo para a marca: traz um espelho de um pensamento que tem raiz italiana e expressão brasileira.
Conheça o portfólio da Tasselo e descubra como o design autoral pode fortalecer projetos com identidade, propósito e permanência.
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